AVISO DE TEXTÃO: Retrospectiva do melhor ano da vida

Ahh 2016… Foi um ano díficil para o mundo mas um ano que eu não queria que acabasse, talvez porque foi o melhor dos meus poucos vinte e tantos. Mas sabemos que tudo nessa vida é passageiro, as dores e as alegrias, e entendi que é preciso desapegar, de bens materiais e de sentimentos, e encarar o novo sempre com o coração aberto.

Quanta coisa eu vivi e aprendi quando decidi abraçar aquele tão idealizado sonho de sair pelo mundo com uma mochila nas costas e sem muitos planos. Queria compartilhar mais daquilo tudo que senti nesse um ano de andanças pela Ásia e que nenhuma imagem foi capaz de captar e tampouco consigo expressar em palavras. O blog e a coluna ficaram desatualizados porque a preocupação maior era viver o agora da forma mais intensa possível. Prometo retomar. Mas talvez insisto e retomo esse exercício de contar para que esses fragmentos fiquem mais organizados e porque talvez possam fazer sentido para alguém. Acho que no fundo é isso, nossas relações todas se baseiam nessas trocas, ainda que virtuais.

Quantas pessoas cruzaram nosso caminho, quantos amigos, quantas barreiras, culturais, linguísticas; quantas superações, físicas, mentais; quantos cenários de tirar o fôlego e outros de revirar o estômago; quantos sorrisos, choros, abraços… quanta vida! Viajar assim, em busca de algo maior e mais profundo do que a felicidade barata e ilusório vendida em fotos e curtidas de Instagram  e Facebook requer coragem. Coragem para viajar para dentro, esse lugar remoto tão pouco visitado por nós e com tanto a ser explorado.

Não, a gente não vai em ponto turístico todo dia nem fica só curtindo uma vida mansa de alguma praia paradisíaca de cartão postal. A gente tem momentos de vazio. E como esses momentos são produtivos. O budismo e a meditação nos ensinaram um pouco disso. É no vazio que as reflexões mais importantes acontecem. E a gente tem também os momentos de troca. Trocas com pessoas que são diferentes, de fora da nossa bolha. E são elas que mais tem algo a nos dizer ou a nos ensinar.

Um menino de 13 anos que conheci na Malásia, refugiado do Irã, não tem ideia da lição que me deu ao me mostrar com a pouca idade que tinha o que é ser perseguido por uma etnia ou religião. A consciência e realidade de uma criança refugiada a gente só entende quando chega mais perto. Os meninos órfãos e negligenciados por tudo e por todos no Camboja me ensinaram o que é a verdadeira pureza ao se mostrarem tão cheios de amor para dar embora a vida inteira lhes tenha sido negado esse amor.

Os refugiados do Tibet no Nepal me ensinaram o verdadeiro significado de liberdade. Justo eles, que não gozam dela e tiveram o país deles tomado pela China. Em tibetano, duas palavras que signifcam Auto Controle formam a palavra Liberdade. Palavra que sempre foi tão forte para mim e ganhou um significado ainda maior. Tatuei liberdade em tibetano no meu braço.

Flashes de cenas me vêm a cabeça. Os sorrisos mais sinceros nos trens da Índia onde os idiomas se desencontravam e essa era a única forma de comunicação. Sou grata a Deus por todos esses encontros, pela oportunidade de evoluir constantemente. Aprendi que mesmo quando a gente se sente impotente, sempre podemos fazer algo por alguém, e que sempre podemos fazer mais. Vi gente quem não tinha quase nada compartilhando o pouco que tinha. E vi que temos sim muito o que compartilhar, doar, dividir, ensinar e aprender sempre. Que não se trata de caridade, mas de cidadania. De sermos menos individualistas e pensarmos mais no coletivo. De fazer  somente por amor, sem esperar nada em troca,  e só assim ter condições de exigir um mundo melhor. Que momentos mágicos estão nas banalidades cotidianas que passam despercebidas e que é preciso treinar nosso olhar para enxergar o sublime da vida, assim como controlar nossa mente para que possamos observar nossas atitudes e nossos pensamentos antes de disparar um julgamento ou apontar o dedo para o outro.

Aprendi que somos as decisões que tomamos, o tempo inteiro, e que descobrir e assumir o que faz sentido verdadeiramente para nós mesmos é a única forma de nos conectarmos com nosso verdadeiro eu. E que quanto mais nos conectamos com nosso verdadeiro eu mais nos sentimos plenos e mais tudo faz sentido. Criamos relações mais verdadeiras, mais espontâneas, não nos comparamos ou aceitamos o que o sistema simplesmente nos impõe goela abaixo e as críticas já não nos afetam mais tanto.

Hoje sou mais eu. Mais consciente. Ainda pareço a mesma Aline de sempre que sou em essência. Mas muita coisa mudou aqui dentro. Para melhor, eu espero. E se eu pudesse desejar algo para todos nós em 2017 não seria apenas mais viagens. As viagens são ferramentas poderosas de auto-conhecimento, aprendizados e quebras de paradigmas. Mas facilmente podem significar apenas mais um prazer momentâneo e satisfação dos cinco sentidos. E tudo bem também. Mas a vida tem que ser mais que isso.

Que possamos amar mais todos os dias, exercer nossa espiritualidade, sair mais da nossa bolha, da dita zona de conforto, compreender melhor o que nos parece inaceitável, enxergar o outro em sua complexidade, a dor do outro que nos une, e nos dar menos a importância sentindo-nos ao mesmo tempo protagonistas de nossas vidas. Que não acreditemos em sorte mas que aproveitemos as oportunidades no caminho e mais que isso, que batalhemos para criá-las. Que sonhemos mais. Mas que  também realizemos. São nossos sonhos que mantém nosso sangue circulando por nossas veias e fazendo nosso coração bater mais forte.  Que possamos ser mais leves, consumir menos, sentir aquele pulsar de vida na natureza que nos conecta nessa vila que é o planeta Terra. Somos todos tão diferentes mas tão iguais ao mesmo tempo.

Paz, amor e coragem a todos. Vamos fazer de 2017 mais  um ano de muito crescimento. E minha eterna gratidão a Nany, minha companheira de jornada que vem encarando essa aventura deliciosa ao meu lado, pulando sete ondinhas e tudo  aqui na Austrália, nosso 10º país e atual CEP, onde 2017 começou antes.

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Gold Coast, Austrália, 1 de Janeiro de 2017. 

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